Fui recebida pela família Fratantonio na residência deles, para uma conversa com a pianista Maria Apparecida Boucault Fratantonio. Filha e sobrinha de músicos, Maria Apparecida seguiu a carreira de concertista tendo iniciado seus estudos de piano aos quinze anos de idade, no Conservatório Dramático Musical, em São Paulo. Fez carreira de concertista apresentando-se regularmente no Theatro Municipal, Theatro São Pedro, Cultura Artística e Sala São Paulo. Durante a conversa, o sobrinho Alê Frata, fotógrafo com fortes inclinações musicais, e o filho, Marcelo, lembraram dos avós, pais de Maria Apparecida, sempre cantando e tocando juntos. O Ale eu conheci quando ele registrou alguns shows que eu estava fazendo pelo CultSP. Ficamos amigos e trocamos CDs; eu, o do Cronistas da Cidade*, (gravado em estúdio por mim e pelo Toque de Bambas); ele, o CD Piano*, de sua tia, Maria Apparecida. Ele me contou que fez as fotos da capa e contracapa. Os filhos dela também ajudaram na produção. Falou disso tudo com tanto entusiasmo e orgulho, que me deu vontade de conhecer esta família. Até que combinamos um encontro entre sua tia pianista e eu, na casa dela, na Granja Julieta. Que honra! Na casa da família Fratantonio há dois pianos: “Um é de estudar, e o outro, de cauda, é de tocar”, explicou Maria Apparecida. O de estudar, fica num pequeno estúdio destinado também às aulas de piano que ela dá. “É herança dos meus pais”, (o tal piano usado para as cantorias). O de cauda, fica na sala, e foi presente de Marco Antonio, seu marido na época. Maria Apparecida tocou prelúdios de Chopin, trechos de concertos de Brahms, e, a meu pedido, as Bachianas Brasileiras n4, de Heitor Villa-Lobos. Depois de um cafezinho com bolo de cenoura, tudo feito por ela, comentamos como a reunião em torno da música sempre nos traz boas lembranças. E nós ali, naquele momento, fomos também testemunhas do quanto ela nos aproxima. Eu também tive a oportunidade de participar da realização de uma gravação em estúdio do meu sogro, Carlos, o China. Neste caso, ele não era músico, mas cantava bem demais e tinha um refinado gosto musical. Nos encontrávamos toda semana na casa dele para as cantorias; ele, um violonista e eu. Como nos divertimos! Convidávamos amigos dele e todos cantávamos juntos. Noel Rosa e Paulinho da Viola eram os seus preferidos. A capa do CD foi feita pela neta do Carlos, minha sobrinha Maria. Teve até festa de lançamento na casa dele com roda de samba e muitos amigos! Espero que a música seja capaz de nos trazer sempre momentos inesquecíveis e que continue unindo e reunindo as pessoas. Isto faz parte da humanidade.
*https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3vhCLSXlkx4enW4bFbl4od?si=lHTLX0myQr6rocL61SGGeQ
*https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4bgzzmDO2omtbQ6HFFMKEc?si=njZXCB00QK-3tUyIRlxUcA
As capas dos CDs:



Arte: Maria Ozi
















