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  Família Fratantonio e a música

13 de abril de 2026

  Fui recebida pela família Fratantonio na residência deles, para uma conversa com a pianista Maria Apparecida Boucault Fratantonio.  Filha e sobrinha de músicos, Maria Apparecida seguiu a carreira de concertista tendo iniciado seus estudos de piano aos quinze anos de idade, no Conservatório Dramático Musical, em São Paulo.  Fez carreira de concertista apresentando-se regularmente no Theatro Municipal, Theatro São Pedro, Cultura Artística e Sala São Paulo. Durante a conversa, o sobrinho Alê Frata, fotógrafo com fortes inclinações musicais, e o filho, Marcelo, lembraram dos avós, pais de Maria Apparecida, sempre cantando e tocando juntos. O Ale eu conheci quando ele registrou alguns shows que eu estava fazendo pelo CultSP. Ficamos amigos e trocamos CDs; eu, o do Cronistas da Cidade*, (gravado em estúdio por mim e pelo Toque de Bambas); ele, o CD Piano*, de sua tia, Maria Apparecida.  Ele me contou que fez as fotos da capa e contracapa. Os filhos dela também ajudaram na produção. Falou disso tudo com tanto entusiasmo e orgulho, que me deu vontade de conhecer esta família. Até que combinamos um encontro entre sua tia pianista e eu, na casa dela, na Granja Julieta. Que honra!  Na casa da família Fratantonio há dois pianos: “Um é de estudar, e o outro, de cauda, é de tocar”, explicou Maria Apparecida. O de estudar, fica num pequeno estúdio destinado também às aulas de piano que ela dá. “É herança dos meus pais”, (o tal piano usado para as cantorias).  O de cauda, fica na sala, e foi presente de Marco Antonio, seu marido na época. Maria Apparecida tocou prelúdios de Chopin, trechos de concertos de Brahms, e, a meu pedido, as Bachianas Brasileiras n4, de Heitor Villa-Lobos.  Depois de um cafezinho com bolo de cenoura, tudo feito por ela, comentamos como a reunião em torno da música sempre nos traz boas lembranças. E nós ali, naquele momento, fomos também testemunhas do quanto ela nos aproxima.  Eu também tive a oportunidade de participar da realização de uma gravação em estúdio do meu sogro, Carlos, o China. Neste caso, ele não era músico, mas cantava bem demais e tinha um refinado gosto musical. Nos encontrávamos toda semana na casa dele para as cantorias; ele, um violonista e eu. Como nos divertimos! Convidávamos amigos dele e todos cantávamos juntos. Noel Rosa e Paulinho da Viola eram os seus preferidos. A capa do CD foi feita pela  neta do Carlos, minha sobrinha Maria. Teve até festa de lançamento na casa dele com roda de samba e muitos amigos!   Espero que a música seja capaz de nos trazer sempre momentos inesquecíveis e que continue unindo e reunindo as pessoas.  Isto faz parte da humanidade. 

*https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3vhCLSXlkx4enW4bFbl4od?si=lHTLX0myQr6rocL61SGGeQ 

*https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4bgzzmDO2omtbQ6HFFMKEc?si=njZXCB00QK-3tUyIRlxUcA 

As capas dos CDs:  

Foto: Ale Frata
Arte: Branca de Oliveira

Arte: Maria Ozi

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Tributo a um bamba, viva Ideval Anselmo!

20 de fevereiro de 2026

“É festa, é baile, é som de cristal, o romantismo, a gafieria e o carnaval”…
 

Em 2017, no aniversário de 463 anos da cidade de São Paulo, Dani Mattos e Toque de Bambas se apresentaram na Casa Mário de Andrade, levando o show Cronistas da Cidade, roda de samba, esquetes de radionovelas, poemas e curiosidades sobre a ‘metrópole polista’.  Gostamos de nos apresentar em lugares que conversem com esses temas, e desta vez o local foi nada menos que a Casa de Mario de Andrade, na Rua Lopes Chaves, Barra Funda. Junto com Pascoal da Conceição, que encarna verdadeiramente o Mario, recebíamos o público para a apresentação.  A Barra Funda sempre foi um bairro de resistência cultural. Podemos citar muitos exemplos, como o Teatro São Pedro e sua longa relação com a classe artística e a luta contra a ditadura.  Celeiro do samba paulista e de outras manifestações populares, é lá que se encontram algumas tradicionais escolas de samba, como o Camisa Verde e Branco, que começou como um cordão carnavalesco.  Para ilustrar nossa roda de samba com curiosidades frescas, fizemos uma prévia pesquisa pelo bairro e convidamos antigos moradores para dar seus recados.  Um deles, vejam que honra, foi Seu Ideval Anselmo, que contou boas histórias, tristes, nostálgicas e também engraçadas, sobre a questão das dificuldades de ser negro, de ser sambista e dos sucessos que seus sambas-enredos fizeram, o que o tornou, com justiça, o maior ganhador de sambas-enredo de São Paulo, sendo a maioria dos prêmios, pelo Camisa Verde e Branco.     Faleceu nesta última quarta-feira de cinzas, dia 18/02/2026, deixando muito ensinamentos a quem o conheceu e também àqueles que ouvem seus sambas. Viva Seu Ideval! https://youtu.be/EFLWI1oWTA8?si=4qDt3G2BB-fbVfg4

Toque de Bambas (Koka Pereira, Edu Batata, Dani Mattos, Tito Longo e Rodrigo Aranha), e seu Ideval na Casa Mário de Andrade em 25/01/2017

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